POLICIAIS NA MIRA DA JUSTIÇA: 36 AGENTES PRESOS EM APENAS TRÊS DIAS NO RIO.
- 12 de mar.
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QUEM DEVERIA CUIDAR DA SOCIEDADE...
Só a Polícia Federal, com três fases da Operação Anomalia, prendeu dois delegados e um deles incluisive da própria corporação.

Terceira fase. Ontem, na mais recente etapa da Operação Anomalia, agentes da PF miraram sete policiais apontados como o braço armado de proteção do CV no Rio de Janeiro.
Uma sequência intensa de operações policiais realizada no estado do Rio de Janeiro revelou um cenário alarmante dentro das próprias estruturas de segurança pública. Em apenas três dias de investigações e ações coordenadas por diferentes órgãos, 36 agentes ligados às forças de segurança foram presos ou se tornaram alvo direto da Justiça, levantando suspeitas sobre a atuação de grupos criminosos infiltrados dentro das instituições que deveriam combatê-los.
As ações foram conduzidas principalmente pela Polícia Federal e pelo Ministério Público do Rio de Janeiro, que investigam a atuação de policiais envolvidos em esquemas de corrupção, proteção a criminosos e até participação direta em atividades ilegais. Segundo os investigadores, as apurações revelaram diferentes níveis de cooptação de agentes públicos por organizações criminosas, desde a negociação de favores a traficantes internacionais até a participação em esquemas ligados ao jogo do bicho e milícias.
Delegados e policiais envolvidos em esquema de favorecimento:
Uma das frentes da investigação resultou na prisão de um delegado da Polícia Federal suspeito de negociar vantagens indevidas para beneficiar um traficante internacional de drogas. De acordo com a investigação, intermediários teriam oferecido cerca de R$ 150 mil para que o delegado interferisse em processos e ajudasse o criminoso a obter benefícios jurídicos. As suspeitas surgiram após a análise de mensagens encontradas no celular de um advogado investigado, que teria articulado o contato entre as partes.
Extorsão dentro da própria estrutura policial:
Outro núcleo investigado envolve policiais civis acusados de usar a estrutura de uma delegacia para extorquir dinheiro de integrantes de facções criminosas. Conforme as investigações, os agentes enviavam intimações e pressionavam traficantes a pagar quantias elevadas em troca de evitar operações ou impedir o avanço de investigações. Para evitar contato direto com os criminosos, o grupo utilizava intermediários responsáveis por recolher o dinheiro e repassá-lo aos envolvidos no esquema.
Durante as diligências, equipes da Polícia Federal realizaram buscas em diversos endereços na capital fluminense, inclusive em residências de policiais investigados, onde foram encontrados dinheiro em espécie, celulares e documentos considerados relevantes para o avanço das apurações.
PMs suspeitos de ligação com facções e milícias:
Além das investigações envolvendo delegados e policiais civis, outra operação teve como alvo policiais militares suspeitos de colaborar com organizações criminosas. As apurações indicam que alguns agentes utilizavam a própria função para facilitar atividades do crime organizado, oferecendo apoio logístico, proteção a criminosos e ocultação de recursos obtidos ilegalmente.
Mandados de prisão e de busca foram cumpridos em diversos bairros da capital e também em municípios da Baixada Fluminense, como Nova Iguaçu e Nilópolis. O material apreendido será analisado por peritos para identificar a participação de outros possíveis envolvidos no esquema.
Segurança privada para o crime organizado:
Em outra investigação paralela, promotores denunciaram 19 policiais suspeitos de integrar o esquema de segurança de um conhecido contraventor do Rio de Janeiro, responsável por pontos de exploração ilegal de jogos de azar. Segundo o Ministério Público, os agentes atuavam armados para garantir o funcionamento das atividades do grupo criminoso, impedindo ações de repressão e garantindo a continuidade dos negócios ilegais.
Investigação continua:
Com base nas provas reunidas até agora, os investigados poderão responder por crimes como organização criminosa, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e abuso de autoridade. Além das prisões, a Justiça também determinou bloqueio de bens, quebra de sigilo de dados e afastamento imediato dos agentes de suas funções públicas.
As autoridades afirmam que as investigações ainda estão em andamento e que novas fases das operações podem ocorrer a qualquer momento. O objetivo, segundo os responsáveis pelas ações, é desmontar completamente os esquemas que permitiram a infiltração do crime organizado dentro das próprias instituições de segurança, preservando a credibilidade das forças policiais e reforçando o combate à criminalidade no estado.
FERNANDO ALMEIDA
BLOG DE INFORMAÇÕES POLICIAIS DO BRASIL























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